Ei… Tu aí, preso nesse escuro e fundo poço onde cais-te… Levanta-te, levanta-te e caminha em frente a mim para que eu te possa observar. Levanta-te e mergulha, mergulha na imensidade da escuridão onde já te encontravas, ou quem sabe… Enfrenta-a?! Não sei, a lua nova lá alto nos céus, certamente iluminará o teu caminho, sim, eu sei que sim… Oh… ela brilha tanto mais que as poucas estrelas que iluminaram o meu céu, guiam-te tão melhor que a mim… Então, levanta-te! Levanta-te e mergulha, não por que é o certo, embora na verdade o seja, mas porque eu também o fiz… Será? Liberta a corrente do medo á qual outro alguém te prendeu, esquece a espada da mentira que trespassou o teu peito, e desce… Desce e encara o mundo real do qual eu fujo a cada dia, e levanta-te. Levanta-te bem em frente a mim para que eu te veja. Para que te veja cair e levantar novamente a cada amanhecer, enquanto a luz dos primeiros raios de sol ofuscam tão paradoxalmente a verdadeira luz do meu dia… Mas levanta-te…
Diz-me… Porque choras? Porque gritas? Sim, explica-me o porquê. Não era suposto uma simples palavra bastar? Porque não te lembras da mão que te estendi? Porque choras!? Não chores, mas sim levanta-te. Levanta-te apesar das feridas, que vejo ao olhar pra ti e que tão pateticamente tentas esconder. Levanta-te… Levanta-te para que um dia veja novamente o pálido céu de uma noite fria de inverno, ser manchado por uma gota do teu sangue, tão igual e tão diferente do meu. Mas porque me anima, porque isso me alivia, levanta-te… Levanta-te, e baixa suavemente o teu rosto coberto em lágrimas. Então aí, observa-me, e descobre a verdade da mentira, a ilusão das palavras frias e ofegantes, sobre tudo aquilo que nem tu nem eu ainda conseguimos fazer… Mas apesar disso, levanta-te…
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